Cúpula do BRICS no Rio: Meio Ambiente e Saúde em Pauta

Notícias Rio

Por: De Olho na Notícia Rio 07/07/2025

Chefes de Estado na Cúpula do BRICS no Rio de Janeiro.

Foto: Divulgação / BRICS Brasil

O Rio de Janeiro segunda-feira (7), o segundo e último dia da 17ª Cúpula do BRICS, um evento de grande relevância global. O ponto alto da manhã foi a tradicional “foto de família”, que desta vez contou com a participação de 35 chefes de Estado e de governo, reunindo membros permanentes e parceiros do grupo no icônico Museu de Arte Moderna (MAM).


Chefes de Estado na foto oficial da Cúpula do BRICS no Rio de Janeiro.

BRICS: Lula Reúne Líderes para ‘Foto de Família’ Ampliada no Rio

O que sabemos sobre a “Foto de Família” do BRICS

A cerimônia da foto, já planejada para ocorrer no interior do museu, reuniu representantes dos membros plenos do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã), além de nações parceiras como Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda e Uzbequistão, e convidados especiais como Chile, Uruguai, Vietnã, ONU, OMS, OMC e União Africana.

A presença da Arábia Saudita na foto desta segunda-feira foi simbólica, uma vez que o país, membro permanente do bloco, havia ficado de fora do primeiro registro oficial no domingo (6) por motivo não divulgado.


Debates: Meio Ambiente e Saúde Global na Cúpula do BRICS

Após a sessão fotográfica, os líderes mergulharam em uma plenária focada em temas essenciais para a cooperação internacional: o enfrentamento das mudanças climáticas, a saúde global e os preparativos para a COP-30, que acontecerá em novembro, em Belém (PA). Essa agenda reforça o compromisso do grupo com soluções conjuntas entre os países do Sul Global.

Espera-se a divulgação de duas declarações temáticas específicas sobre o combate às mudanças climáticas e a erradicação de doenças socialmente determinadas. Até o momento, apenas Cuba, Bolívia e Malásia aderiram formalmente a esses documentos.


Discurso de Lula e os Desafios Fiscais para a Saúde

cúpula Brics no Rio Discurso de Lula 7 de julho de 2025

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anfitrião da Cúpula do BRICS no Rio, abriu o dia com um discurso focado na necessidade de “espaço fiscal” para garantir investimentos em saúde e bem-estar dos cidadãos. Ele destacou que doenças como Chagas e cólera já teriam sido erradicadas se afetassem o Norte Global, e que o cumprimento do ODS 3 da ONU (saúde e bem-estar) exige investimento em saneamento, alimentação, educação e moradia digna.

Lula defendeu os investimentos sociais em um momento de pressão para cortes de gastos, reiterando sua posição contrária à redução de despesas em áreas sociais. Ele também criticou a falta de protagonismo da Organização Mundial da Saúde (OMS) e o unilateralismo que afeta a saúde global.


BRICS e o Financiamento da Transição Energética e COP-30

Durante seu discurso, Lula também cobrou dos países mais ricos recursos para combater as mudanças climáticas, mencionando os US$ 1,3 trilhão necessários, a partir dos US$ 300 bilhões acordados na COP29. Ele apontou que a maioria das emissões de carbono provém de menos de 60 empresas nos setores de petróleo, gás e cimento, e que os incentivos de mercado vão na contramão da sustentabilidade. Apesar disso, o presidente defende a ampliação da produção de petróleo no Brasil para financiar a transição energética.


O que ficou decidido até agora?

No domingo (6), os países divulgaram a declaração final da cúpula, criticando duramente o atual sistema multilateral e defendendo mudanças no FMI, no Banco Mundial e no Conselho de Segurança da ONU. O documento também condena ataques ao Irã (sem mencionar os Estados Unidos) e reafirma o apoio à criação de um Estado Palestino.


O que é o BRICS?

Criado em 2009 por Brasil, Rússia, Índia e China, o BRICS incluiu a África do Sul em 2010. Atualmente, o grupo é composto por 21 países do Sul Global – nações em desenvolvimento da América Latina, África, Ásia e Oceania que cooperam em economia, saúde e meio ambiente. Além dos membros fundadores e da África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã são membros permanentes.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *