Por: De Olho na Notícia Rio 03/09/2025

Foto: Divulgação / Getty Images
China, Rússia e Índia Forçam Reaproximação em Desafio a Donald Trump
Uma série de eventos de alto nível na China sinaliza um fortalecimento da aliança entre Pequim, Moscou e Nova Deli. O presidente russo, Vladimir Putin, visitou a China para uma cúpula da Organização para a Cooperação de Xangai (SCO), e teve uma recepção calorosa, que reflete o crescente alinhamento das três potências contra a pressão econômica e política do Ocidente.
O Triunvirato de Potências: Rússia, Índia e China (RIC)
A presença de Putin e do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, na China reacendeu discussões sobre a reativação do bloco RIC. Este grupo, poderoso e com o objetivo de contrabalançar o domínio ocidental, ficou inativo por cinco anos, mas agora parece estar em plena atividade, principalmente diante da intensificação da guerra comercial de Donald Trump. Analistas indicam que a estratégia de Trump de confrontar a China e a Rússia acaba, na verdade, por fortalecer o eixo entre os dois países.
“Ao aumentar a pressão comercial sobre Pequim, o governo Trump só fortalece o eixo China-Rússia,” explica o ex-diplomata Pierre Andrieu.
A Complexidade das Relações entre as Potências
- Rússia e China: Uma “Amizade Sem Fronteiras” A relação entre os líderes Vladimir Putin e Xi Jinping é descrita como uma “amizade sem fronteiras”. Ambos têm visões semelhantes sobre o poder e desafiam a hegemonia dos EUA. Do ponto de vista econômico, a Rússia se tornou o principal fornecedor de energia para a China, enquanto a China se tornou a principal fornecedora de produtos para a Rússia, após a saída de empresas ocidentais.
- Índia e a Busca por Equilíbrio A Índia é o terceiro pilar do bloco, com uma posição mais delicada. O país mantém relações complexas tanto com a China, por conta de tensões de fronteira, quanto com os EUA, devido a tarifas de importação. No entanto, a recente reunião entre Xi Jinping e Narendra Modi em Tianjin mostrou um esforço para restabelecer a “paz e estabilidade”, com a promessa de reativar voos diretos entre os países.
Um Sinal para o Futuro Global?
A união dessas três nações, somada a outras alianças como o BRICS, pode vir a contrabalançar a influência de Washington. O desfile militar em Pequim, que contou com a presença dos líderes da China, Rússia, Irã e Coreia do Norte, foi interpretado como um forte sinal. O especialista em China Neil Thomas, do Instituto de Política da Sociedade Asiática, questiona se essa seria a primeira cúpula do “eixo das autocracias”, reforçando o papel da China como a principal potência autoritária no cenário global.
Fonte: BBC NEWS BRASIL
