Por: De Olho na Notícia Rio 09/12/2025

Foto: Divulgação / Roda de Capoeira com jovens na Casa de Cultura Volta do Mundo, um projeto social de recomeço para adolescentes
Capoeira e Recomeço: Como a Casa de Cultura Volta do Mundo Transforma a vida de Jovens
Eles chegam em silêncio, marcados pela rua, pela ausência de rotina e por pequenos conflitos com a lei. São adolescentes que deixaram a escola cedo e aprenderam a sobreviver em contextos de extrema vulnerabilidade. No coração da Pequena África, no Rio de Janeiro, esses jovens encontram um ponto de virada: a Casa de Cultura Volta do Mundo e Conexões.
O Poder da Capoeira na Reintegração Social
Na Casa de Cultura Volta do Mundo, a capoeira é muito mais que um movimento; é um instrumento de resgate social e reconstrução de identidade. Sob o som do berimbau, os meninos reaprendem o tempo, o limite e o respeito. O corpo, antes habituado à fuga, agora se move em um ritmo de pertencimento e disciplina.
A gestora do projeto, Simone Torres, explica a importância do trabalho: “Muitos deles já passaram por medidas socioeducativas. O que fazemos é dar estrutura, afeto e oportunidade para que enxerguem outro caminho.”
Os adolescentes são encaminhados pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) da Prefeitura do Rio, responsável pelo acompanhamento dessas medidas. A presença e o apoio das famílias nesse processo são considerados fundamentais para o sucesso da reintegração.
Além do Tatame: Oficinas e Acompanhamento Personalizado
As atividades de capoeira são conduzidas por Eduardo Escadão, mestre e um dos gestores da Casa, que utiliza a roda para “reorganizar o corpo e a cabeça”, ensinando-os a lidar com frustrações e vitórias.
Mas a proposta da Casa de Cultura Volta do Mundo não se limita à roda. Para mostrar que o talento pode gerar autonomia, são oferecidas oficinas de música, audiovisual, escrita e tecnologia. O objetivo é desenvolver novas habilidades. Cada jovem recebe um acompanhamento individualizado, com metas simples e foco no retorno aos estudos ou na inserção no mercado de trabalho.
Com o tempo, a transformação se consolida no vínculo e na constância. Jovens que eram arredios hoje auxiliam nas rodas ou conseguem emprego por indicação do próprio projeto.
A Casa de Cultura, reconhecida como polo do programa Reviver Centro, é um laboratório de cidadania focado na valorização da identidade afro-brasileira e no fortalecimento comunitário. No casarão da Rua do Rosário, cada toque de berimbau anuncia um ato de resistência e a possibilidade real de um futuro diferente para os meninos da Pequena África.
