Por: De Olho na Notícia Rio 07/07/2025

Líderes assinam Parceria para Eliminação de Doenças Socialmente Determinadas — Foto / BRICS Brasil
No segundo e último dia da 17ª Cúpula do BRICS no Rio de Janeiro, um marco importante foi alcançado: a assinatura da Parceria para a Eliminação de Doenças Socialmente Determinadas (DSDs). Esta iniciativa reforça o compromisso dos líderes por uma luta global por dignidade, justiça e equidade em saúde, complementando a Declaração de Líderes e as declarações sobre Governança Global da Inteligência Artificial e Finanças Climáticas aprovadas no domingo. Países parceiros como Malásia e Bolívia também aderiram a essas importantes declarações.
A Parceria para a Eliminação de DSDs visa fortalecer a cooperação, mobilizar recursos e impulsionar esforços coletivos para a erradicação integrada dessas enfermidades, que são mais prevalentes no Sul Global.
Doenças da Pobreza: A Visão do Presidente Lula
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, destacou em seu discurso de abertura a urgência e a injustiça ligadas às DSDs. “No Brasil e no mundo, a renda, a escolaridade, o gênero, a raça e o local de nascimento determinam quem adoece e quem morre. Muitas das doenças que matam milhares em nossos países já teriam sido erradicadas se atingissem o Norte Global”, afirmou Lula, sublinhando a profunda conexão entre pobreza, desigualdades e saúde.
Ele ainda reforçou: “Não há direito à saúde sem investimento em saneamento básico, alimentação adequada, educação de qualidade, moradia digna, trabalho e renda. Estamos cooperando e agindo com solidariedade em vez de indiferença. Colocando a dignidade humana no centro de nossas decisões.”
Os Cinco Objetivos da Parceria para a Eliminação de DSDs
Alinhada com as atividades da Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras organizações internacionais, a Parceria do BRICS para a Eliminação de Doenças Socialmente Determinadas estabelece cinco objetivos principais:
- Reforço dos Sistemas de Saúde: Fortalecer sistemas de saúde resilientes e garantir acesso equitativo a vacinas, prevenção, detecção precoce, diagnóstico, tratamento e educação em saúde para DSDs, com foco em populações vulneráveis e no avanço da Cobertura Universal de Saúde (CUS).
- Ações Intersetoriais: Fortalecer ações sobre os determinantes sociais, econômicos e ambientais da saúde, adotando uma abordagem integral de governo e sociedade.
- Expansão da Colaboração: Ampliar a colaboração em pesquisa, desenvolvimento, capacitação, inovação e transferência de tecnologia entre os membros, promovendo o compartilhamento de conhecimentos e soluções inovadoras adaptadas às realidades locais.
- Superação de Barreiras Financeiras: Advogar pela mobilização de recursos nacionais e internacionais, com engajamento de bancos de desenvolvimento, instituições financeiras, doadores e setor privado para garantir mecanismos sustentáveis de financiamento.
- Alinhamento de Posições Internacionais: Alinhar posições sobre DSDs em organizações como OMS e PNUD, facilitando a integração em estruturas de cooperação internacional e assegurando alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) globais.
Iniciativas e Tecnologias para o Combate às DSDs
Para alcançar esses objetivos ambiciosos, os países do BRICS vão promover e ampliar iniciativas já existentes. Isso inclui melhorar o manejo de casos, expandir o acesso a áreas remotas, fortalecer o saneamento básico e a habitação, combater a desnutrição e a pobreza, e incorporar tecnologias inovadoras. A utilização de inteligência artificial para diagnóstico de doenças, desenvolvimento de medicamentos e vacinas, além de ferramentas digitais para vigilância e detecção precoce, será fundamental.
O documento dos líderes também ressaltou a importância de projetos como o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Vacinas, a Rede de Institutos de Saúde Pública e a Rede de Pesquisa sobre Tuberculose, que servem como bases sólidas para pesquisa conjunta, capacitação, inovação e vigilância em saúde.
A 17ª Cúpula do BRICS, sob a presidência brasileira e com o tema “Fortalecendo a Cooperação do Sul Global para uma Governança mais Inclusiva e Sustentável”, conclui-se hoje no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, reafirmando o compromisso do bloco com a saúde global e a equidade.
Fonte: https://brics.br/pt-br
