Por: De Olho na Notícia Rio 19/07/2025

Foto: vencedores do concurso do BNDES / Divulgação
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgou os três projetos vencedores do Concurso BNDES Pequena África. A iniciativa visa impulsionar a valorização cultural e a requalificação urbana da Pequena África, na zona portuária do Rio de Janeiro, com foco na implantação de novos equipamentos e na criação de uma identidade urbana única.
Projetos Vencedores: Cultura e Memória em Destaque
Lançado em março e direcionado a equipes lideradas por arquitetos e urbanistas negros, o edital recebeu diversas propostas. Os projetos vencedores, que totalizam R$ 130 mil em prêmios, foram:
- 1º Lugar: “Pequena África: Memória Continental”, liderado pela arquiteta americana Sara Zewde (Studio Zewde e Harvard Graduate School of Design). A proposta, que recebeu R$ 78 mil, reconecta simbolicamente a diáspora africana com elementos urbanísticos, religiosos e ambientais da região.
- 2º Lugar: “Pequena África: Território Akpalô”, dos arquitetos brasilienses Carlos Henrique Magalhães de Lima e Júlia Huff Theodoro. Premiado com R$ 39 mil, propõe intervenções dispersas e integradas ao tecido urbano, com base em referências históricas e culturais locais.
- 3º Lugar: “Sankofa e a Trama da Pequena África”, do arquiteto Clovis Nascimento Junior e Patrícia Akinaga Arquitetura Paisagística. O projeto, que recebeu R$ 13 mil, foca na integração dos percursos culturais da região, especialmente o entorno do Cais do Valongo.
Além dos prêmios em dinheiro, foram concedidos certificados e duas menções honrosas aos projetos de Bianca Naylor Rezende e Matheus Ribeiro Cunha.

Foto: André Matheus / Grafite no território da Pequena África, na zona portuária do Rio
Valorização do Território e Futuro Inclusivo
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, ressaltou que o concurso busca “repensar o território valorizando a identidade local e construindo um futuro mais inclusivo”. A Pequena África é reconhecida como uma região de importância histórica e simbólica na formação do Rio de Janeiro e do Brasil.
Sara Zewde, uma das vencedoras, enfatizou o potencial arquitetônico da área como um símbolo da Diáspora Africana, propondo o uso de água e elementos visuais para reconectar o cais ao mar e valorizar a riqueza cultural do entorno do Cais do Valongo.
O Concurso BNDES Pequena África faz parte de um esforço maior para estruturar o Distrito Cultural Pequena África, que visa recuperar espaços simbólicos, estimular a economia criativa e promover o acesso à cultura. A iniciativa é coordenada pelo Consórcio Valongo Patrimônio Vivo.

Foto: Digulgação / O sítio do Cais do Valongo visto do alto
A região abrange pontos históricos como a Pedra do Sal, o Cais do Valongo (Patrimônio Mundial da Unesco), o Jardim Suspenso do Valongo, o Largo da Prainha, o Museu da História e Cultura Afro-Brasileira, o Cemitério dos Pretos Novos e a Casa da Tia Ciata. Valeria Bechara, do consórcio, destacou que o concurso fortalece a Pequena África como um espaço que une passado, presente e e futuro da cultura afro-brasileira, transformando a região em um “museu de território”.
Os projetos vencedores serão analisados para possível integração ao projeto de estruturação do Distrito Cultural, podendo gerar soluções replicáveis por toda a extensão da Pequena África.
