Por: De Olho na Notícia Rio 15/06/2025

Foto: Getty images / usina de energia de Bushehr
Uma onda de ataques israelenses atingiu dezenas de alvos em todo o Irã, incluindo a usina de enriquecimento de urânio em Natanz e alvos em Teerã, resultando na morte de importantes comandantes militares e cientistas nucleares. Os ataques, ocorridos na noite de quinta-feira, foram rapidamente condenados pelo Irã, que os classificou como “imprudentes” e “ataques às instalações nucleares pacíficas” do país. O Irã respondeu com ataques aéreos retaliatórios contra Israel, que por sua vez relatou 10 mortes.
O Ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, alertou para um “desastre radiológico” devido aos ataques em Natanz, uma instalação monitorada pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Por outro lado, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, defendeu a operação, afirmando que era essencial para “reverter a ameaça iraniana à própria sobrevivência de Israel”. Netanyahu alegou que o Irã poderia produzir uma arma nuclear em “muito pouco tempo”, alertando para um prazo de “um ano” ou “alguns meses”.
A busca do Irã por uma bomba nuclear: Evidências e controvérsias
A questão central dos ataques de Israel gira em torno da alegação de que o Irã estava prestes a produzir uma bomba nuclear. Militares israelenses afirmam ter acumulado informações de inteligência que mostram “progresso concreto” nos esforços iranianos para desenvolver componentes de armas nucleares, incluindo um núcleo de urânio metálico.
No entanto, especialistas em não proliferação questionam a clareza dessas evidências. Kelsey Davenport, da Associação de Controle de Armas, sediada nos EUA, afirmou que Netanyahu “não apresentou nenhuma evidência clara ou convincente de que o Irã esteja prestes a se tornar uma arma”. Ela destacou que a avaliação de que o Irã poderia desenvolver uma arma nuclear bruta em poucos meses não é nova e que, embora algumas atividades nucleares iranianas sejam aplicáveis ao desenvolvimento de uma bomba, as agências de inteligência dos EUA avaliam que o Irã não está envolvido em trabalhos importantes de armamento.
Em março deste ano, a Diretora de Inteligência Nacional dos EUA, Tulsi Gabbard, confirmou que, embora o estoque de urânio enriquecido do Irã esteja em seus níveis mais altos, a comunidade de inteligência dos EUA “continua a avaliar que o Irã não está construindo uma arma nuclear e que o líder supremo [aiatolá Ali] Khamenei não autorizou o programa de armas nucleares que ele suspendeu em 2003”.
Um relatório recente da AIEA, contudo, apontou que o Irã acumulou urânio enriquecido suficiente com 60% de pureza – um pequeno passo técnico para o grau de pureza para armas (90%) – para potencialmente fabricar nove bombas nucleares, o que a agência considera “uma questão de grande preocupação”. A AIEA também expressou preocupação por não poder garantir que o programa nuclear iraniano seja exclusivamente pacífico, devido à falta de cooperação do Irã em investigações sobre partículas de urânio artificiais. (Fonte: bbc)
